ZTNA: O que é, como funciona e por que está substituindo a VPN tradicional

Com o crescimento do trabalho remoto, aplicações em nuvem e ambientes híbridos, o modelo tradicional de segurança baseado em perímetro deixou de ser suficiente. É nesse cenário que surge o ZTNA (Zero Trust Network Access), um novo paradigma de acesso seguro que vem, na prática, substituindo as VPNs tradicionais.

Neste artigo, você vai entender o que é ZTNA, como ele funciona e por que ele se tornou um dos pilares da segurança moderna.

O que é ZTNA (Zero Trust Network Access)

ZTNA significa Acesso à Rede com Confiança Zero.
O conceito parte de um princípio simples e direto:

Nunca confie automaticamente em nenhum usuário, dispositivo ou conexão, mesmo que esteja “dentro” da rede corporativa.

Diferente do modelo tradicional, onde o usuário entra na rede e depois acessa os sistemas, no ZTNA o acesso é feito diretamente à aplicação, sem exposição da rede interna.

A rede deixa de ser o perímetro de segurança.
A identidade passa a ser o novo perímetro.

O problema do modelo tradicional (VPN)

Durante anos, a VPN foi a principal solução de acesso remoto. Porém, ela apresenta limitações importantes:

  • Após autenticar, o usuário ganha acesso amplo à rede
  • Confiança implícita depois do login
  • Alto risco em caso de credenciais comprometidas
  • Movimento lateral facilitado para ataques
  • Pouco contexto sobre dispositivo e comportamento

Em um cenário de ataques sofisticados, ransomware e vazamento de credenciais, esse modelo se tornou um risco real.

Como o ZTNA funciona na prática

O ZTNA funciona por meio de validação contínua baseada em identidade, contexto e políticas.

1. Autenticação baseada em identidade

O acesso começa com a validação do usuário:

  • Diretório corporativo (AD, Azure AD, Okta, etc.)
  • Autenticação multifator (MFA)
  • Grupos e perfis de acesso

2. Verificação do dispositivo

Antes de liberar o acesso, o sistema avalia:

  • Sistema operacional
  • Antivírus e EDR ativos
  • Patch e compliance do endpoint
  • Dispositivo corporativo ou BYOD

3. Avaliação de contexto

O acesso é concedido com base em políticas como:

  • Localização
  • Horário
  • Tipo de conexão
  • Nível de risco da sessão

4. Acesso restrito à aplicação

Se tudo estiver conforme a política:

  • O usuário acessa somente a aplicação autorizada
  • Nenhum IP interno é exposto
  • A rede permanece invisível

5. Confiança contínua

Se o contexto mudar (ex: troca de rede ou risco elevado):

  • Nova autenticação é exigida
  • O acesso pode ser revogado em tempo real

Princípios fundamentais do ZTNA

  • Verificação explícita
  • Menor privilégio possível
  • Confiança nunca permanente
  • Aplicação como alvo, não a rede
  • Identidade como perímetro

Esses princípios reduzem drasticamente o impacto de ataques baseados em credenciais roubadas.

Onde o ZTNA é mais utilizado

O ZTNA é especialmente eficaz em:

  • Acesso remoto seguro sem VPN
  • Ambientes híbridos e multi-cloud
  • Publicação segura de aplicações internas
  • Acesso de terceiros e parceiros
  • Proteção contra ransomware e ataques laterais

ZTNA substitui a VPN?

Na maioria dos cenários modernos, sim.

Na prática:

  • Muitas empresas usam VPN e ZTNA durante a transição
  • Ambientes legados ainda podem exigir VPN
  • Aplicações web, APIs e sistemas internos são ideais para ZTNA

O movimento do mercado é claro: menos rede exposta, mais controle por identidade.

Conclusão

O ZTNA não é apenas uma nova tecnologia é uma mudança de mentalidade em segurança da informação.

Ao substituir o acesso à rede por acesso controlado à aplicação, o ZTNA:

  • Reduz a superfície de ataque
  • Elimina a confiança implícita
  • Aumenta a visibilidade e o controle
  • Se adapta melhor ao mundo cloud e remoto

Para organizações que buscam segurança moderna, escalável e alinhada às ameaças atuais, ZTNA deixou de ser tendência e passou a ser necessidade.